A relação entre a governadora Fátima Bezerra (PT) e o vice-governador Walter Alves (MDB) entrou em um novo capítulo de tensão com a exoneração de nomes ligados ao MDB na estrutura do Governo do Estado.
A primeira mudança atingiu a presidência da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern). O engenheiro Sérgio Rodrigues, indicado pelo grupo de Walter, foi dispensado do cargo. Para substituí-lo, foi nomeado George Marcos, até então diretor de Planejamento e Finanças da companhia e alinhado politicamente à governadora.
Nos bastidores, a leitura é de que novas exonerações devem ocorrer nas próximas semanas, consolidando o rompimento político entre o PT e o MDB no âmbito estadual.

Disputa antecipada
O desgaste entre os dois líderes se intensificou após Walter anunciar apoio à pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), ao Governo do Estado. A situação ficou ainda mais delicada quando o vice confirmou que pretende disputar uma vaga de deputado estadual em 2026.
O movimento altera completamente o xadrez político potiguar. Fátima Bezerra já reafirmou publicamente que deixará o cargo para concorrer ao Senado. Caso o vice também renuncie para disputar a Assembleia Legislativa, o Estado poderá enfrentar vacância simultânea nos cargos de governador e vice.
Pela Constituição Estadual, nessa hipótese, caberá à Assembleia Legislativa realizar uma eleição indireta para escolha de um governador-tampão até o fim do mandato.
Incerteza e articulação
Em recente declaração à imprensa, Fátima afirmou que nenhum grupo político detém maioria garantida na Assembleia para vencer uma eventual eleição indireta — nem o seu, nem o liderado por Allyson Bezerra, nem o do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos).
O cenário amplia as incertezas sobre a sucessão estadual e deve intensificar as articulações partidárias nos próximos meses, antecipando o clima eleitoral no Rio Grande do Norte.
