O debate promovido pela TV Tropical, nesta segunda-feira (21), colocou frente a frente Allyson Bezerra, Cadu Xavier e Robério Paulino e voltou a expor o clima de confronto na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Álvaro Dias não participou do encontro. (BNews RN)
Depois de sucessivas cobranças feitas durante a campanha envolvendo a Operação Mederi, Allyson decidiu mudar o rumo do confronto e levou para o debate um episódio antigo da política potiguar: a chamada Máfia dos Sanguessugas, esquema nacional que envolveu fraudes relacionadas à compra de ambulâncias e equipamentos de saúde.
O episódio atingiu diretamente o ex-deputado federal Laíre Rosado, pai de Larissa Rosado, atual candidata a vice na chapa de Cadu Xavier. Em 2008, o Ministério Público Federal aditou denúncia anteriormente apresentada contra Laíre Rosado, incluindo outros repasses que, segundo a acusação, estariam relacionados ao esquema. (Memória EBC)
Larissa, por sua vez, não pode ser responsabilizada automaticamente por acusações envolvendo seu pai. O ponto político levantado durante o confronto, entretanto, foi outro: quem transforma investigações envolvendo adversários em arma eleitoral precisa estar preparado para responder também sobre o passado dos grupos políticos que hoje compõem sua própria aliança.
A Operação Mederi tem sido explorada por adversários de Allyson ao longo dos debates. Em encontro anterior, realizado pela TV Ponta Negra, Cadu, Álvaro e Robério direcionaram questionamentos ao candidato sobre a investigação envolvendo contratos da Prefeitura de Mossoró. Allyson respondeu defendendo a continuidade das apurações. (BNews RN)
Na Tropical, a estratégia de Allyson buscou inverter a pressão.
Ao trazer o caso dos Sanguessugas para o centro do confronto, o candidato colocou sobre Cadu a necessidade de lidar com um episódio histórico associado ao núcleo familiar de sua candidata a vice.
Documentos e reportagens da época também registraram investigações envolvendo entidades ligadas à família Rosado, entre elas a Fundação Vingt Rosado e a Apamim. (Congresso em Foco)
O episódio reforça uma máxima antiga da política: quem tem teto de vidro não joga pedra no telhado dos outros.
Cadu Xavier e Robério Paulino têm legitimidade para questionar qualquer investigação relacionada à administração pública. Da mesma forma, Allyson tem legitimidade para cobrar explicações políticas sobre fatos documentados envolvendo grupos que hoje integram chapas adversárias.
O que não pode existir é investigação de um lado sendo tratada como condenação antecipada, enquanto episódios envolvendo aliados são convenientemente esquecidos.
No embate político desta segunda-feira, Allyson mostrou disposição para abandonar apenas a posição defensiva e partir para o enfrentamento das acusações utilizando o histórico político dos próprios adversários.
O debate eleitoral está cada vez mais duro.
E, quando o passado entra em campo, ninguém escolhe apenas quais páginas da história devem ser abertas.
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