Governo registra mais de meio milhão de pedidos de bloqueio em sites de apostas

Foto: Ministério da Fazenda

O número de brasileiros que solicitaram bloqueio voluntário em plataformas de apostas ultrapassou 574 mil desde o lançamento da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, criada pelo Governo Federal em dezembro de 2025. A ferramenta permite que o usuário suspenda, de uma só vez, o acesso a todas as casas de apostas autorizadas no país vinculadas ao seu CPF.

Dados divulgados pelo Ministério da Fazenda mostram que a principal razão apresentada pelos usuários para aderir ao sistema está relacionada aos efeitos das apostas sobre a saúde mental. Cerca de 41% dos cadastrados relataram perda de controle sobre o jogo e consequências emocionais associadas ao hábito.

Também foram registrados outros motivos para a autoexclusão. Segundo o levantamento, 18% dos usuários afirmaram ter preocupação com o uso inadequado de dados pessoais nas plataformas digitais. Já 12% apontaram dificuldades financeiras como fator decisivo para solicitar o bloqueio. Parte dos cadastrados preferiu não informar a justificativa.

Além de impedir o acesso às contas existentes, o sistema também bloqueia novos cadastros em sites de apostas legalizados e suspende o envio de publicidade direcionada ao usuário. A maioria das pessoas que aderiram à ferramenta optou por manter a restrição sem prazo definido.

O Ministério da Saúde informou que a plataforma também reúne orientações sobre atendimento na rede pública de saúde para pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas.

Como parte das ações na área, o governo anunciou investimento de R$ 6 milhões para a realização de uma pesquisa nacional sobre apostas e impactos psicológicos. O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo e deverá começar ainda em 2026.

O atendimento a pessoas afetadas por transtornos relacionados a jogos e apostas é realizado por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Outra medida anunciada neste ano foi a criação de um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado a casos ligados a apostas online. A iniciativa ocorre em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e possui capacidade para atender até 650 pacientes por mês.

O Ministério da Saúde também disponibiliza o chamado “Autoteste do Jogo”, ferramenta digital que apresenta perguntas sobre hábitos relacionados às apostas e orienta os usuários sobre quando buscar ajuda profissional.

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