A pouco mais de um ano e meio das eleições de 2026, o cenário político do Rio Grande do Norte começa a sair do terreno das especulações e entrar no campo da lógica eleitoral. E, quando se observa o tabuleiro com frieza — longe de paixões ideológicas — um nome aparece hoje em posição claramente privilegiada: Allyson Bezerra.
Não se trata de projeção otimista ou construção artificial. Trata-se de leitura política baseada em três fatores clássicos que decidem eleições estaduais: aprovação administrativa, rejeição adversária e fragmentação do campo opositor.
Allyson Bezerra: favoritismo sustentado por gestão e baixa rejeição
Allyson chega ao ciclo de 2026 com um ativo raro na política potiguar: capital administrativo validado nas urnas e fora delas. À frente da Prefeitura de Mossoró — o segundo maior colégio eleitoral do estado — consolidou-se como gestor com discurso pragmático, foco em entrega e distanciamento das velhas disputas ideológicas que desgastaram o eleitor.
Historicamente, o eleitor do RN reage mais a sensação de eficiência do que a alinhamentos partidários. E é nesse ponto que Allyson avança: ele ocupa o centro do debate, dialoga com o eleitor moderado e atrai votos tanto do centro quanto da direita sem carregar o peso do antipetismo radical nem do lulismo orgânico.
Em eleições estaduais, isso costuma ser meio caminho andado.
Cadu: candidatura sem densidade eleitoral
Do outro lado do tabuleiro aparece Cadu Xavier, nome ligado diretamente ao Partido dos Trabalhadores (PT). Aqui, a análise precisa ser objetiva: não há, até o momento, sinais de musculatura eleitoral capaz de sustentar uma candidatura competitiva ao Governo do Estado.
Cadu enfrenta três obstáculos quase intransponíveis:
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Baixa expressão popular fora dos círculos institucionais;
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Associação direta ao atual governo estadual, que enfrenta desgaste significativo no interior;
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Rejeição estrutural ao PT em amplas regiões do RN, especialmente fora da capital.
Na prática, Cadu tende a concentrar o voto ideológico petista — um contingente fiel, porém insuficiente para vencer uma eleição majoritária estadual em um estado historicamente avesso à hegemonia partidária.
Álvaro Dias: o fator que, paradoxalmente, favorece Allyson
A presença de Álvaro Dias no cenário eleitoral é, à primeira vista, interpretada por alguns como ameaça ao favoritismo de Allyson. Uma leitura apressada. A análise fria aponta o contrário.
Álvaro disputa essencialmente o mesmo campo ideológico da direita e do centro-direita. No entanto, esse eleitorado tem uma característica bem definida: não vota em Cadu em hipótese alguma, justamente pela ligação com o PT. Assim, a entrada de Álvaro não desloca votos do campo governista, apenas divide um eleitorado que já estava fora do alcance do candidato petista.
O efeito prático é claro:
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Álvaro fragmenta a direita tradicional;
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Cadu permanece isolado em seu nicho ideológico;
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Allyson cresce como alternativa viável, moderada e com menor rejeição.
Esse fenômeno não é novo na política brasileira. Eleições se decidem muito mais pela incapacidade do adversário de crescer do que pela soma pura de votos.
A geografia do voto e o desgaste do governo
Outro ponto central ignorado por análises superficiais é a geografia eleitoral do RN. O interior — decisivo em eleições estaduais — revela cansaço com promessas não cumpridas, obras inacabadas e sensação de abandono administrativo. Esse desgaste não recai sobre Allyson, que governa um município, mas pesa diretamente sobre quem representa continuidade.
Em cenários assim, o eleitor tende a optar por quem não carrega o ônus do sistema, mas apresenta experiência administrativa comprovada.
Conclusão: o cenário real de 2026
Se as condições atuais forem mantidas, o desenho eleitoral é relativamente claro:
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Allyson Bezerra entra como favorito, com base em gestão, baixa rejeição e capacidade de diálogo amplo;
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Cadu permanece restrito ao voto ideológico, sem expansão;
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Álvaro Dias atua como divisor da direita tradicional, mas sem beneficiar o campo governista.
Na política real — aquela que se decide na urna, não nas redes — rejeição derrota militância. E hoje, o candidato com menor rejeição e maior potencial de crescimento atende pelo nome de Allyson Bezerra.
Em 2026, o Rio Grande do Norte tende menos a um embate ideológico clássico e mais a um plebiscito sobre eficiência, credibilidade e cansaço político. Nesse ambiente, Allyson não apenas participa — lidera.
